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Eu tinha 18 ou 19 anos, ia pela primeira vez sozinho em São Paulo. Andando pelo centro, aquele monte de gente, de assustar.
No meio dos prédios um rapaz cantava Paralelas e uma sena jamais sairá da minha cabeça.
Ele cantava tanto, tão bem que as pessoas começaram a atirar moedas pelas janelas dos prédios. O sol batia nas moedas e produzia um reflexo.
Jamais vou esquecer.
Belchior disse que não é uma celebridade. Não é mesmo, é um compositor fora de série, um cantor maravilhoso, celebridade não tem este talento.
Foi aí que procurei saber que música linda era aquela, foi assim que descobri Belchior.
Eis a letra do nosso rapaz latino americano.
Paralelas
Dentro do carro
Sobre o trevo
A cem por hora, ó meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
E no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
Diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar
No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas
Em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu
2 comentários:
Querida Sasha, gostaria de lembrar-lhe que cena se escreve com C e não com S (a menos que derive de seis), que não é o caso em sua frase....
ELE É UNICO MARCELO... NADA A VER O PESSOAL DA GLOBO IR PROCURA-LO RS, DEIXA O PRAPAZ LATINO AMERICANO NA DELE, MAIS FOI MARAVILHOSO TER TIDO RESPOSTAS DELE.
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