19 de ago de 2012

Chega de padronizar e achar que o que tem lá fora é muito melhor


Faz alguns anos Maria Bethânia gravou Brasileirinho com participação de Miúcha e Nana.
Alguém duvida que nesse palco temos algumas das melhores cantoras do mundo?
Músicas do cancioneiro popular na voz delas, com o arranjo de sua turma, evidenciam como nossas músicas são requintadas.
Falando de requinte me lembrei de um velório que fui dia desses.
O brasileiro deveria parar de copiar, ou diminuir essa vontade louca dde copiar o que existe lá fora.
Quatro mulheres, vestidas igualmente. Bolsas LV, relógios MK, jeans, camisas brancas, óculos Prada, sapatos altos. Iguais, todas de idades diferentes.
Nana, a filha de Dorival disse na entrevista para o DVD que o brasileiro é assim, copia tanto o que vem de fora que fica padronizado e esquece a elegância do que se produz no Brasil.
Uma vez em Paris, em uma loja LV, só vi turistas. Nas ruas, muitas mulheres utilizando bolsas de palha, algumas lembrando o que de mais descolados os estilistas brasileiros produzem.
Vendo o DVD olhei para o cenário, para as roupas, para o sonoridade. Tudo tão elegante, tudo tão original, tudo tão brazuca.
Somos um país diferente, com cores, artesanatos, formas de arrumar uma casa, da mais simples delas, com um toque tão bonito.
Mas parece que qualquer um que ganhe um pouco mais de dinheiro só imagina ostentar um produto de marca internacional.
Danuza Leão, ícone de bom gosto, disse uma vez que comecou a sentir vergonha de seus caixotes de viagem da LV quando olhou que todo mundo tinha um, original ou fake, daí resolveu envelopar os seus. A marca é ótima, feita com bons materiais, mas esse negócio da padronizacão é irritante.
Se produz boa roupa no país, bons acessórios, bons objetos de decoracão, tudo com o toque daqui, mas isso tudo parece que não vale nada se não tiver uma grife internacional.
Pois bem, em Buenos Aires, ainda esse ano, em um bar moderno e chic, belas mocas desfilavam de havaiana, as legítimas.
Vai uma moca brasileira aparecer com uma por aqui em um ambiente parecido...
No DVD que juntou gente do calibre de Bethânia, Miúcha e Nana, uma mostra do que esse país tem de melhor.
Mas as rádios continuam tocando música americana, muita musica americana.
Sem dúvida existem músicas americanas lindas, algumas das melhores do mundo, mas esse complexo de vira lata brasileiro faz com que seja melhor tocar nas rádios elas do que as nossas.
Alguém aí já teve a oportunidade de passear por Jeriquaquara ou em Miami Beach? Adoro os dois lugares, mas o que se vê de vulgaridade, de péssimo gosto em Beach não se vê em Jerí. Na praia cearence o toque regional as lamparinas, os tecidos coloridos, os móveis de palha, as tóchas, a música diversificada brasileira, dá ao lugar um ar moderno e bairrista ao mesmo tempo.Mas elegante também.
Em Beach, tirando os points mais badalados, se vê nas ruas em plena luz do dia mulheres andando de short e blusa prateadas, apliques enormes, óculos desproporcionais, bolsas monstruosas.
Pouca gente gosta mais de Miami Beach que eu, podem apostar. Mas não podemos negar que em Jerí as coisas são mais coesas, mais naturais e portanto, mais elegantes em muitos aspéctos.
O mundo tem locais lindos, produtos maravilhosos, muitos deles melhores que o Brasil.
Mas não me venham dizer que isso é regra, pois não é.
No fundo, um pouco de cada coisa é bom, ou o melhor de cada lugar é bom.
Mas o que não dá para aceitar é que o melhor só está lá fora.
Não, aqui também tem o melhor.
Falta só a gente observar, ousar, sair da linha de montagem. E ser feliz misturando tudo, as boas músicas, os bons produtos, os bons lugares.
A boa vida que se encontra por lá, mas também por aqui.

Um comentário:

Anônimo disse...

R E L A T I V I D E, Bacana.

Na música, na moda e em tudo. Tanto aqui como lá, as coisas são relativas. Agora cuidado: onde ouves música americana (ou estrangeira) nas rádios de Belém. Às vezes na 99. O resto é só bosta (como dizes) de Teló, Luan etc.
Mas gostei dos comentários. Pertinentes, embora muitos confusos pela quantidade de assuntos.