6 de jan de 2012

País do faz de conta

Todas as mangas das mangueiras de Belém já sabem, assim como todas as mangas de todas as cidades do país também sabem que a mais promiscua relação de um poder público - seja qual for ele - é com as construtoras de obras públicas.
Se os Ministérios Públicos quisessem realmente aliviar o nó da corrupção, poderiam criar um departamento para analisar as licitações de obras públicas que só ali acabariam com mais da metade de todos os esquemas governamentais.
E isso é novidade pra ti?
Nem pra você e nem pra ninguém.
O caso da Andrade Gutierrez é um caso, no meio de um sistema viciado e cheio de casos iguais, que vão desde a reforma de uma sala de aula até a construção de grandes obras.
Muitas licitações são montadas, os vencedores são decididos em salas de reunião antes mesmo que o edital seja publicado.
Mas como vivemos no país do faz de conta, os Ministérios Públicos fazem de conta que não sabem e a gente faz de conta que tá tudo bem, e os nós continuam por aí.
É na obra pública, na construção, na alvenaria, que está o grosso da verba e portanto o interesse maior de gestores públicos interessados nesses esquemas. Sempre foi assim, qual a surpresa?
E como se não bastasse os valores astronômicos, existem os adendos, o plus, que muitas vezes dobra o valor da obra orçada.
Pergunte para um empresário qualquer de qualquer ramo, o quanto ele se dedica na construção de uma sede própria,ou de uma filial. Ele sabe que ali o custo é tremendo, e é assim com as obras de edificação, seja de uma casa, de uma sala de aula, de uma escola, de um hospital.
Construir é caro, portanto as cifras são altas e sempre é possível subir os preços ainda mais.
É a fome com a vontade de comer, muito.
Mas alguns gestores públicos, bom esses estão mais interessados em preços altos em suas obras, justamente para dar a tal da gordurinha.
E gordurinha meus amigos, todo médico avisa que mata.
As vezes, claro.

Um comentário:

Antonio disse...

Mas isso tudo tem como minimizar, bastando que a Justiça faça o seu papel quando provocada. Apesar da Lei das Licitações (Lei 8.666/93) deixar uma série de lacunas, que permitem a manipulação dos editais, o TCU já emitiu inúmeras jurisprudências, que se fossem aplicadas pelos Tribunais Estaduais (TJ/PA, por exemplo), corrigiriam esses demandos.