15 de mar de 2012

Jader pede intervenção da Eletrobras na Celpa


Preocupado com a grave situação financeira que levou a Centrais Elétricas do Pará - Celpa a entrar em processo de recuperação judicial, o senador Jader Barbalho (PMDB) procurou seu colega de partido, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para externar sua
preocupação com as consequências que poderão advir ao final do processo judicial. Ele pediu ao ministro que o governo federal reconheça o Pará como principal fonte de energia hídrica para todo o país. Logo após a reunião, o senador encaminhou ofício para o gabinete do ministro, dando prosseguimento à conversa que tiveram sobre a situação da empresa distribuidora de energia e suas graves consequências para o povo do Pará.
Para o senador, é necessário que haja interesse do governo federal em ajudar o Pará, como já ocorreu em vários outros Estados, intervindo na Celpa para sanear a empresa “e devolver a tranquilidade à população”. Ele destacou que a Eletrobrás, vinculada ao Ministério das Minas e Energia, possui 34% das ações da empresa. “Num esforço, a Eletrobrás deveria adquirir mais 16% das ações e sanear a Celpa. Deixar a empresa em condições de, mais tarde, ser repassada para outro grupo ou mesmo ser leiloada. O governo federal é a única possibilidade com a qual o Pará pode contar para que haja uma inversão financeira e administrativa na Celpa. E não há nada de mais em o poder público intervir num segmento essencial que no caso, não deu certo nas mãos da iniciativa privada, pelo menos no Pará, até o momento”, reforçou. “O Governo Federal, ao intervir no saneamento da Celpa, estará reconhecendo a importância e a contribuição do Pará para o Brasil quando o assunto é energia elétrica”, ressaltou Jader Barbalho, referindo-se à hidrelétrica de Tucuruí, genuinamente brasileira, que está em solo paraense e que não gera nenhuma renda oriunda de impostos pela geração de energia.
“O Pará não recebe um tostão de impostos pela geração da energia. A hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu, também em território paraense, por enquanto, segue o mesmo caminho. A geração de um bem mineral, natural como a energia, não permite a entrada de receita para o Pará. Logo, não é justo o risco de um colapso num Estado que tem dado tanta contribuição ao Brasil. Não é justo!”, enfatizou o senador paraense.
Em sua opinião, o Ministério das Minas e Energia e a sua vinculada Eletrobrás devem se envolver num esforço maior para que seja encontrada uma solução rápida para o problema da Celpa. “Não pode o povo do Pará pagar a conta, porque não deve nada. Ao contrário, é um Estado de muitas contribuições e possibilidades para o crescimento nacional. Insisto, meu caro Ministro, o Pará deseja apenas o mesmo tratamento dado a outros Estados”.
Senador destacou contribuição do Pará
O temor é que a fragilidade da empresa após o pedido de recuperação judicial piore ainda mais a qualidade da prestação de serviço ao consumidor paraense. “Faltam peças de reposição para a solução de problemas. Falta pessoal, pois a Celpa vem reduzindo cada vez mais o número de funcionários. Os apagões acontecem a toda hora por falta de manutenção e pela precariedade dos serviços. O Pará corre o risco de entrar em colapso numa área considerada essencial que é a energia. Não dá para esquecer o coeficiente demográfico e a dimensão territorial do Pará. Portanto, o programa Luz para Todos e a expansão da energia não podem estar fora da prioridade da empresa”, escreveu o senador. Ainda no mesmo documento Jader Barbalho relembrou que, desde o processo de privatização das Centrais Elétricas do Pará, em 1998, a população do Pará vive em estado de alerta no que se refere aos serviços de energia. “Ao longo desses 14 anos, houve vários aumentos nas tarifas, mais rigor na fiscalização e diminuição (ou até ausência) da função de responsabilidade social, prioridade em sua fase estatal. Isto é tão verdadeiro que o programa Luz para Todos, do Governo Federal, tem o pior desempenho do País no Estado do Pará”, completou.
Embora a conta de luz tenha se tornado mais cara, não houve investimento em novas tecnologias e ampliação dos serviços. “Quando chove – e em Belém chove todo dia - quase que instantaneamente estoura um transformador de energia. E aí, dependendo do nível de chuva, vários bairros ficam sem luz por várias horas, porque a empresa terceiriza o trabalho e com isso aumenta o tempo de espera da população”, exemplificou. Outro ponto destacado na reunião com o ministro e reforçado no ofício encaminhado ontem a tarde é sobre a preocupação que o Ministério de Minas e Energia deve ter com o Pará, no rebaixamento da energia do linhão que vai interligar a energia de Tucuruí com os estados do Amapá e do Amazonas.
De acordo com o senador, não está prevista a construção de subestação de rebaixamento para que haja distribuição de energia aos municípios da Ilha de Marajó e também os da chamada Calha Norte, situados à margem esquerda do Rio Amazonas.
Segundo informações, somente Almeirim e Oriximiná estariam contemplados, repetindo o que ocorreu quando a hidrelétrica de Tucuruí foi inaugurada, quando foi construído um linhão para levar energia ao município de Barcarena, para alimentar a fábrica da Albrás. Os municípios paraenses que estavam ao lado da hidrelétrica levaram anos sem ter energia firme.
“É uma ideia absurda se imaginar que o Pará gera energia para o Brasil e os municípios paraenses com a sua população não possam contar com o serviço essencial ao seu desenvolvimento. Certo da sensibilidade e espírito público do estimado Ministro, para os assuntos tão urgentes e importantes para o Pará e os paraenses, renovo protestos de apreço e consideração”, finalizou Jader Barbalho. (Diário do Pará)

Um comentário:

Anônimo disse...

Jáder, quando governador do Pará em dois mandatos,foi um daqueles que mamou muito nas tetas da CELPA. Agora, redimido de seus pecados, posa de salvador da pátria. Quem acredita?